Após mais um período de estiagem registrado entre o final de 2025 e o início de 2026, as chuvas mais regulares observadas ao longo deste ano estão contribuindo diretamente para a recuperação da produção de energia nas usinas próprias da Cermissões: a CGH Ijuizinho, localizada no Rio Ijuizinho, em Entre-Ijuís, e a MCH Claudino Fernando Piccoli, instalada no Rio Comandaí, em Santo Ângelo.
De acordo com o engenheiro eletricista Eluir Hoffmann, responsável pelo acompanhamento técnico das unidades geradoras, o volume acumulado de chuvas na região da MCH Claudino Fernando Piccoli, entre janeiro e 17 de junho de 2026, alcançou 736 milímetros. Os registros apontam 70 mm em janeiro, 77 mm em fevereiro, 152 mm em março, 300 mm em abril, 120 mm em maio e 17 mm nos primeiros 17 dias de junho.
A CGH Ijuizinho possui capacidade instalada de 3,6 MW e atualmente opera com suas duas turbinas em funcionamento, trabalhando próximas da capacidade máxima. Neste mês de junho, as duas máquinas vêm operando em cerca de 90% da capacidade de geração. De 1º de janeiro até 17 de junho de 2026, a usina produziu aproximadamente 6.400 MWh de energia.
Segundo Eluir Hoffmann, o comportamento das chuvas tem sido favorável para a geração de energia. Ele explica que nem sempre grandes volumes de precipitação representam aumento na produção.
“Quando ocorre excesso de água, pode haver o chamado afogamento das máquinas, provocado pela redução da altura útil da queda d’água. Isso diminui a força aplicada às turbinas e pode até provocar o desligamento automático dos equipamentos por limite operacional”, explica o engenheiro.
Na CGH Ijuizinho, a queda d’água é de aproximadamente 12 metros. Neste ano, porém, as chuvas ocorreram de forma mais distribuída e em volumes moderados, permitindo melhor aproveitamento hídrico sem comprometer a operação da usina.
Já na MCH Claudino Fernando Piccoli, que possui capacidade instalada de 350 kW (0,35 MW), a situação é ainda mais estável. Atualmente, a usina opera com uma máquina gerando cerca de 80% de sua capacidade. Entre janeiro e 17 de junho deste ano, a produção acumulada alcançou 683 MWh.
A maior altura da queda d’água da MCH, de aproximadamente 22 metros, reduz significativamente os efeitos do afogamento das máquinas, proporcionando maior regularidade operacional ao longo do ano.
O presidente da Cermissões, Diamantino Marques dos Santos, destaca que a recuperação da geração própria é fundamental para a sustentabilidade financeira da Cooperativa.
“No verão, temos um consumo muito elevado de energia, o que proporciona um bom fluxo de caixa. Entretanto, a geração própria costuma ser menor em razão da escassez de chuvas. Já nos períodos em que as precipitações se normalizam, aumentamos a produção de energia em nossas usinas e reduzimos a necessidade de aquisição de energia do sistema, contribuindo para o equilíbrio financeiro da Cooperativa ao longo do ano”, ressalta Diamantino.
Atualmente, seis colaboradores atuam diretamente na operação e manutenção das usinas da Cermissões, sendo cinco na CGH Ijuizinho e um na MCH Claudino Fernando Piccoli.
Juntas, a CGH Ijuizinho e a MCH Claudino Fernando Piccoli representam um importante patrimônio dos associados da Cermissões, contribuindo para a geração de energia renovável e respondendo por cerca de 12% da energia distribuída pela Cooperativa. Além de reforçar a segurança energética do sistema, a geração própria contribui significativamente para o resultado econômico da Cooperativa e para o desenvolvimento regional.
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